quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Bolívia quer resolver impasse com Brasil usando diplomacia.

Governo de Evo Morales quer que brasileiros devolvam Roger Pinto Molina, senador acusado de corrupção que está em Brasília.

Marcello Casal Jr./ABr
Marcello Casal Jr./ABr / Luiz Alberto Figueiredo assume ministério hoje com a missão de negociar com a Bolívia uma solução para o caso do senador
Luiz Alberto Figueiredo assume ministério hoje com a missão de negociar com a Bolívia uma solução para o caso do senador
Após a saída de Antonio Pa­triota do Ministério das Rela­ções Exteriores, o ministro da Defesa da Bolívia, Ruben Saavedra, disse que a expectativa do governo Evo Morales é resolver pela via diplomática o impasse criado pela retirada do senador Roger Pinto Molina da Embaixada do Brasil em La Paz.
O ministro boliviano reiterou que Pinto Molina é denunciado por crimes de corrupção e desvio de recursos. O senador, que estava há mais de um ano asilado na embaixada, fugiu para o Brasil no fim de semana com o auxílio da representação diplomática brasileira.
Em entrevista ao canal estatal de televisão na noite de segunda-feira, Saavedra insistiu que o governo da Bolívia quer que Pinto Molina responda por seus crimes. “O governo boliviano está com a maior boa vontade para esclarecer todos os fatos [envolvendo a retirada de Pinto Molina de La Paz]. Mas vamos tentar trabalhar para que Molina regresse ao país e responda na Justiça por seus delitos”, ressaltou.
Saavedra disse que a Bolívia aguarda uma explicação oficial por parte do governo brasileiro sobre a retirada de Pinto Molina do país, “para tomar as providências que correspondam ao que determina o direito internacional”. O governo da Bolívia acusou o Brasil de descumprir normas de convenção internacional.
Uma comissão foi nomeada pelo governo brasileiro para apurar a fuga do senador boliviano. O grupo será presidido pelo auditor-fiscal da Receita Federal Dionísio Carvalhedo Barbosa, que é hoje assessor especial do ministro-chefe da Controladoria Geral da União.
Novo ministro
O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, tomará posse hoje, às 11 horas, no Palácio do Planalto. Antes, porém, há a expectativa de que ele encontre a presidente Dilma Rousseff, com quem ainda não falou pessoalmente desde sua nomeação para o cargo.
Dilma rebateu ontem afir­­mação do diplomata E­duardo Saboia, de que ele se sentiu na embaixada brasileira em La Paz com um “carcereiro do DOI-Codi”. “Um governo age para proteger a vida. Nós não estamos em situação de exceção, não há nenhuma similaridade. Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. É tão distante o DOI-Codi da Embaixada Brasileira lá em La Paz como é distante o céu do inferno. Literalmente isso”, afirmou a presidente.
Ela afirmou ainda que “um país civilizado e democrático protege seus aliados” e que a Embaixada do Brasil é “extremamente confortável”. Foi sua primeira declaração sobre o episódio depois da demissão de Antonio Patriota.
20 processos judiciais correm na Bolívia contra Roger Pinto Molina, acusado de crimes de corrupção e desvio de recursos. Segundo o governo boliviano, ele foi condenado a um ano de prisão em junho.
Embaixador diz que episódio afeta relações
O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano, classificou a saída do senador boliviano Roger Molina daquele país como uma “agressão” a acordos diplomáticos e à soberania do país
Fonte: Agências

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