Policiais federais do Paraná decidem próximos passos do movimento, que prejudica fiscalização em Foz e emissão de passaportes em Londrina. Em Curitiba, agentes prometem queimar diplomas em manifestação.
A paralisação de 48 horas promovida por policiais federais no Paraná – que integra uma mobilização nacional – termina na tarde desta terça-feira (27) com atos e assembleias promovidas pela categoria em todo o estado. A situação mais crítica é registrada na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, onde poucos policiais realizam fiscalizações durante o protesto. Em Londrina, o sindicato que promove o manifesto relata que a emissão de passaportes é prejudicada. Nas demais cidades, os serviços ao público são prestados normalmente, inclusive em Curitiba.
As informações são do presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná (Sinpef-PR),Fernando Augusto Vicentine. Ele relata que ainda não tem um balanço detalhado da paralisação, mas que o descontentamento da categoria é geral.
O dirigente conta que os 30% mantidos em serviço em Foz do Iguaçu estão cumprindo obrigações nos setores de guarda de presos e imigração. “Lá [em Foz] eles farão uma assembleia para definir os próximos passos do movimento. Aqui, faremos um ato na Praça Nossa Senhora da Salete e vamos queimar diplomas, já que não reconhecem nossos diplomas. Depois do ato, faremos uma assembleia quem sabe lá mesmo, dependendo da decisão da base”.
Em Foz, greve compromete fiscalização aduaneira e investigações
Em Foz do Iguaçu, a fiscalização da Polícia Federal foi reduzida nas pontes internacionais com o Paraguai e Argentina. Na Ponte da Amizade, limites com o Paraguai, apenas dois policiais federais trabalhavam agora à tarde. A Força Nacional de Segurança (FNS), que já reforçava a fronteira, e a Receita Federal, garantem a segurança na aduana.
No Aeroporto, trabalham apenas agentes que não aderiram ao movimento grevista. A paralisação comprometeu a emissão de passaportes, investigações e atendimento a estrangeiros.
A diretora do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná em Foz do Iguaçu, Bibiana Orsi, diz que a redução do efetivo nas duas pontes chega a 70%. Em assembleia agora à tarde, os grevistas aguardam as diretrizes do movimento nacional para tomar um posicionamento.
Reivindicações
O presidente do Sinpef-PR prioriza a melhoria nas condições de trabalho como objetivo a ser alcançado. “Nós queremos perguntar para a população que tipo de PF ela deseja. Uma polícia eficiente ou de faz de conta? Temos hoje uma defasagem de 3,5 mil policiais apenas nas fronteiras do Brasil. Na Ponte da Amizade, a ponte mais importante do país, temos apenas quatro policiais trabalhando em regime de plantão. Esse efetivo não dá conta nem da imigração”, cita.
O dirigente não descarta a possibilidade de novas manifestações e paralisações. Ele diz, no entanto, não ser possível prever com exatidão os desdobramentos da manifestação porque quem decide sobre elas é a base da categoria. “Mas se levar em conta a insatisfação geral de todo mundo, existe possibilidade inclusive de greve por tempo indeterminado”.
PF em Curitiba
O setor de comunicação da Polícia Federal informou, nesta terça (27), que não há reflexos ao atendimento ao público que procura a superintendência de Curitiba para emissão de passaportes. O órgão ressalta que o atendimento ao público não foi prejudicado em nenhum aspecto.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo
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