terça-feira, 4 de junho de 2013

Servidores de hospitais de 4 cidades do PR cruzam os braços em protesto.

A paralisação teve início às 7 horas e deve seguir até as 19 horas, de acordo com o Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde do Paraná; governo nega prejuízo no atendimento à população.

Roberto Custódio / JL
Roberto Custódio / JL / Servidores protestam em frente ao hospital Eulalino Inácio de Andrade, na zona sul de Londrina
Servidores protestam em frente ao hospital Eulalino Inácio de Andrade, na zona sul de Londrina
Um protesto de servidores ligados à saúde prejudica o atendimento em hospitais de ao menos quatro cidades paranaenses nesta terça-feira (4). São dois em Londrina (Anísio Figueiredo e Eulalino Inácio de Andrade), um em Paranaguá (Regional do Litoral), um em Francisco Beltrão (Regional do Sudoeste) e um em Cascavel (Universitário). O protesto também afeta o funcionamento dos prédios das regionais de saúde de Cianorte e Apucarana, mas não os postos de atendimento. A paralisação teve início às 7 horas e deve seguir até as 19 horas, de acordo com o Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde do Paraná (SindSaúde).
Em Londrina, os hospitais Anísio Figueiredo (Zona Norte) e Eulalino Inácio de Andrade (Zona Sul) têm apenas 30% dos servidores trabalhando nos setores de urgência e emergência das unidades, o que deve afetar o atendimento à população. Em Paranaguá, o esquema é semelhante, com quadro reduzido de funcionários trabalhando. Já em Cascavel a estimativa dos manifestantes é que a adesão à paralisação seja de 90% do quadro no Hospital Universitário, mas a Unioeste disse que o atendimento não foi prejudicado (leia mais abaixo).
Entre as reivindicações da categoria está a negociação do plano de cargos, carreiras e salários. “Estamos há 2 anos e meio negociando com o governo do estado para que o nosso plano seja regulamentado por lei, mas até agora nada”, reclamou a presidente do SindSaúde, Mari Elaine Rodela. Segundo ela, o pedido para a criação do projeto de lei foi entregue no começo do governo Beto Richa (PSDB), mas não houve resposta.
O reajuste de 6,4%, anunciado pelo governo do estado a todo o funcionalismo público, foi considerado insuficiente pela presidente do sindicato. Além de um reajuste maior, para repor as perdas salariais, o SindSaúde pede também aumento no vale transporte. A proposta do governo é de R$ 124. “Nosso pedido é de um reajuste de 24% com base na tabela inicial, o que dá algo em torno de R$ 180 de vale transporte”.
Outra reivindicação do sindicato é referente ao uso de declarações médicas para justificar a ausência dos servidores em tratamento de saúde. Quando algum servidor tem que se ausentar do trabalho seja para uma consulta médica, seja para levar algum dependente, como pais ou filhos pequenos, ao médico ele tinha a falta abonada com o uso da declaração médica, da mesma maneira que o uso do atestado nas empresas particulares.
De acordo com Mari, essa prática foi descontinuada no governo Beto Richa. “Agora eles querem que a gente reponha esse dia. Isso é uma perda de diretos, é um absurdo criado pelo governador. Não causa impacto nenhum no orçamento do governo, e mesmo assim o governo não quer negociar”, apontou.
Cirurgias suspensas por falta de roupas
A presidente do SindSaúde afirmou que as cirurgias eletivas estavam suspensas no Hospital da Zona Norte, em Londrina, desde a última quarta-feira (29). Um problema nas roupas utilizadas pelos pacientes durante os procedimentos teria causado a paralisação. Apesar da situação não ter sido resolvida, as cirurgias eletivas foram liberadas nesta terça. “Isso é manipulação da Secretaria [Estadual] de Saúde, por meio da direção do hospital, para atribuir à paralisação a falta de condições de realizar as cirurgias”, disparou.
Déficit de 250 servidores em Cascavel
O protesto dos servidores ligados à Secretaria de Saúde (Sesa) do Paraná teve adesão de 90% dos funcionários do Hospital Universitário (HU) de Cascavel, no Oeste do Paraná, segundo a coordenação regional do SindSaúde. De acordo com a Unioeste, a paralisação não afetou os trabalhos e atendimento na unidade. Servidores da própria universidade mantêm a rotina junto com os funcionários da Sesa que não aderiram ao protesto.
De acordo com Neri Alves de Miranda, coordenador regional do SindSaúde, 184 servidores ligados à Sesa trabalham no HU em Cascavel. Segundo ele, o déficit é de 250 trabalhadores. “Queremos a contratação imediata. Bom salário e quantidade ideal de funcionários não fazem mal a ninguém”, afirmou.
Manoel Furlan, diretor do sindicato, diz que dentro do hospital os servidores estão sobrecarregados. “Os trabalhadores estão adoecendo por excesso de atividades e condições precárias de trabalho”, declara. 
Os manifestantes estão em frente ao Hospital Universitário de Cascavel e realizam bloqueios rápidos na Avenida Tancredo Neves para entregar panfletos.

O lado do governo
O Governo do Paraná, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), encaminhou uma nota à imprensa informando que os atendimentos nos hospitais do estado não foram prejudicados por conta da paralisação. Sobre as reivindicações, a Sesa disse que mantém diálogo com o SindSaúde e que entende desnecessária a paralisação da classe.
A Sesa também enviou uma nota à categoria alertando sobre as responsabilidades da entidade ao decidir pela manifestação, com o dever de não obstruir, interromper, prejudicar ou paralisar os serviços públicos de saúde do estado.
Sindicato prevê paralisações na Grande Curitiba
A diretora do SindSaúde, Eloisa Helena de Souza, diz que até o momento as negociações não avançaram e que no caso de uma nova paralisação, hospitais da Lapa e de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, vão aderir ao movimento. Ponta Grossa, nos Campos Gerais, também pode ter o hospital regional paralisado, caso a concessão de benefícios continue travada.
“Há um grande descontentamento, funcionários de todas as áreas têm aderido ao movimento, inclusive alguns médicos, que se recusam a trabalhar sem condições satisfatórias à equipe. Estamos planejando nossa programação para novos protestos nas próximas semanas”, disse.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo

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