terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Em alta, bolsa devolve esperança a investidores.

Especialistas creem que valores podem recuar, mas também observam que preços baixos trazem oportunidade para ganhos futuros.

São dois mundos diferentes: em 2011, a bolsa foi o pior dos investimentos no Brasil, com perdas de 18,11%; em 2012, está ressurgindo, com ganhos de 14,92% até agora. O fôlego dessa recuperação ainda é incerto, mas ele é um sinal de que os investidores já podem olhar para as ações de modo mais otimista.
Para Eduardo Dias, analista da corretora Omar Camargo Investi­­mentos, a bolsa está antecipando algumas tendências que eram esperadas para o ano inteiro. “Estamos tendo entrada muito intensa de investidores estrangeiros, e são eles que estão influenciando o índice”, opina. De fato, os estrangeiros responderam em janeiro por 37,3% dos negócios na BM&FBovespa e foram o principal grupo de investidores, à frente dos institucionais (33,4%) e das pessoas físicas (21%). Mais: as compras dos investidores estrangeiros superaram suas vendas em R$ 880 milhões.
Desempenho passado não é garantia de rentabilidade futura, e por isso os especialistas recomendam cautela. O próprio Dias observa que a alta intensa das primeiras semanas do ano deve conduzir a uma realização de lucros – ou seja, a um movimento em que um grande número de investidores vende seus papéis para transformar em dinheiro a valorização dos seus papéis. “Mas a bolsa assumiu um novo patamar”, resume. “Deixou a faixa dos 54 mil pontos [no índice Ibovespa] e agora deve ficar em torno dos 65 mil pontos.” No fechamento de ontem, o Ibovespa ficou em 65.223 pontos.
Embora muitos observadores prefiram sugerir uma posição mais conservadora, temendo pioras no ambiente econômico da Europa, há quem veja nos preços atuais uma oportunidade de reservar um lugar para uma alta futura que – esperam – virá com certeza. “Não tenho ideia se o mercado irá se recuperar em 2012 ou 2013, ou se a bolsa vai cair ainda mais. O que sei é que agora a bolsa está barata e uma hora o mercado irá se recuperar”, diz o professor Pedro Picolli, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por isso o investimento deve ser feito com foco em longo prazo – cinco anos ou mais.
Setores
A valorização mais recente foi mais forte em alguns setores do que em outros. Os índices setoriais da BM&FBovespa, que cobrem áreas específicas da economia, demonstram bem isso. O índice Imob, que reflete a variação de papéis de construtoras, incorporadoras e imobiliárias, registrou alta de 19,6% até agora. O IEEE, que acompanha as empresas de energia, subiu 18,3%. Eduardo Dias, da Omar Ca­­margo, recomenda atenção aos segmentos de consumo, petróleo e gás, mineração e siderurgia, que podem ser compensadores nos próximos meses.

Fonte: Jornal Gazeta do Povo

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