domingo, 21 de agosto de 2011

Venda de grandes empresas revela uma Londrina mais atrativa no cenário nacional.

A aquisição da Viação Garcia e Catuaí Shopping por grandes grupos de investidores devem estimular o crescimento e desenvolvimento da cidade. Tendência é de que outros empreendimentos locais sigam o mesmo caminho.

                                                                                                             Gilberto Abelha / Arquivo JL
             Gilberto Abelha / Arquivo JL / Venda do Catuaí Shopping para a BR Malls foi uma das negociações que mais gerou volume de dinheiro nos últimos anos em Londrina
                  Venda do Catuaí Shopping para a BR Malls foi uma das negociações que mais gerou
                  volume de dinheiro nos últimos anos em Londrina

A venda de grandes e tradicionais empresas de Londrina nos últimos meses indica que a cidade vem atraindo a atenção de grandes investidores no cenário nacional. As negociações de compra da Viação Garcia e do Catuaí Shopping envolveram juntas aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Na avaliação de especialistas, apesar de a cidade perder importantes empresários locais nos dois segmentos de negócios, as aquisições de empresas londrinenses por grandes grupos estimulam o crescimento e desenvolvimento do município. Uma Londrina mais atrativa pode fazer com que outros empreendimentos locais também sejam vendidos.

Um dos negócios mais recentes foi a venda Viação Garcia para o empresário paulista Mario Luft, com valor de R$ 400 milhões, em novembro. Depois do fechamento da negociação, os novos controladores renovaram a frota. Parte do dinheiro também foi usada para dívidas. “Acho que estava na hora (de vender). A família já estava na terceira ou quarta geração”, diz o ex-sócio José Paulo Garcia Pedriali. Já a venda do Catuaí para a BR Malls foi uma das negociações que mais gerou volume de dinheiro nos últimos anos na cidade. Pela quantia de R$ 791,7 milhões, os espaços locais da marca passaram a pertencer ao maior grupo controlador de shoppings do Paraná.

A doutora em Teoria Econômica e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marcia Gabardo Camara, explica que quando ocorrem grandes negociações desse tipo fica a preocupação se a transação vai afetar a oferta dos serviços, a manutenção dos empregos e sobre a forma que o comprador vai gerenciar a atividade. Em casos de aquisição por grandes grupos, como ocorreu com as duas empresas citadas, a professora diz: “Quando há um movimento desse, melhora a situação das empresas porque existe a expectativa de investimentos e mudanças favoráveis, mas pode acontecer o contrário.”

O lado ruim do negócio, segundo Marcia, ocorre quando a empresa compradora já domina o mercado naquele segmento específico, com grande oferta de serviços, e toma iniciativas como elevação de preços e cerceamento do acesso à venda de determinados produtos. Na opinião da economista, as expectativas em relação aos dois grandes negócios são boas, em razão da “necessidade de investimentos adicionais que ambas se comprometem a realizar”.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, diz que as mudanças oferecem maiores possibilidades de as empresas se tornarem cada dia mais fortes. “Mas quando a venda acontece para um capital externo, se perde parte daquele ‘reinvestimento’”, aponta. No caso da Garcia, por exemplo, Benvenho explica que parte dos lucros da empresa ficavam na própria cidade, já que a família mora em Londrina.

Outras empresas tendem a seguir mesmo caminho
“Londrina tem se destacado no cenário nacional, algumas empresas locais vão passar por esse processo que é natural de um sistema capitalista”, avalia Benvenho. Segundo ele, são poucas as grandes empresas da cidade que ainda não possuem capital externo investido.

No entanto, vale lembrar que duas construtoras tradicionais instaladas há mais de 40 anos na cidade, Plaenge e A.Yoshii, geram juntas aproximadamente 4,2 mil empregos diretos e são destaque no mercado nacional da construção civil. Ambas informaram que não há nenhuma negociação de venda de parte do empreendimento para outros grupos.

A operadora de telecomunicações Sercomtel, a Pura Mania, no setor de vestuário, a fábrica de café Cacique e a rede de supermercados Viscardi, são outras marcas locais importantes.

Empresário vai continuar investindo no setor de shoppings
Em entrevista ao JL no início deste mês, o empreendedor do Catuaí, Alfredo Khouri, disse que vai continuar investindo no ramo. “Temos três, quatro projetos em estudo, fora do Paraná. Vamos fazer esses empreendimentos e depois vamos definir se negociamos com a BR Malls ou outro grupo”. O empresário disse que o assédio da BR Malls sobre o grupo paranaense começou há quatro anos. A reportagem tentou um novo contato com o empresário esta semana, mas foi informada de que ele estava em viagem.

Com a aquisição, por R$ 791,7 milhões, a BR Malls passou a ser a maior operadora de shopping centers do Paraná. Khouri continua com 30% do capital do grupo Catuaí. O contrato prevê que o nome do shopping seja mantido por 15 anos, renováveis por mais 15. Para a professora Marcia Camara, a troca do nome pode significar a perda de confiança do consumidor na marca.

Fonte: Jornal de Londrina

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