De acordo com representantes do clube e da empresa, repasse da verba da Sinoway só não ocorreu ainda por causa de um problema burocrático.
Walter Alves/ Gazeta do Povo
Técnico Ricardo Pinto conversa com os jogadores do Paraná antes do treino realizado ontem.
Dois dias após as declarações polêmicas do técnico Ricardo Pinto, que apontaram para uma nova crise financeira no Paraná, o clube decidiu esclarecer qual a atual situação na Vila Capanema. Segundo o vice-presidente financeiro, Celso Bittencourt, os três meses de salários atrasados do treinador serão acertados hoje. Quanto aos vencimentos de atletas e funcionários, o mês de abril será pago no início da semana que vem. Além disso, o dirigente anunciou um acordo da dívida com o Vitória.
“Não é que o Ricardo não recebeu. Recebeu parte dos valores. Foi uma infelicidade a colocação dele, pelo nervosismo, a pressão toda, a situação do jogo [empate com a Portuguesa, na terça-feira, por 1 a 1]. Não é normal dele, que é uma pessoa equilibrada. Foi um lapso, que acabou levantando tudo isso. Não há discórdia”, diz Bittencourt.
O restante do pagamento, que acabou não acontecendo, era de responsabilidade da Sinoway, empresa chinesa de equipamentos de engenharia agrícola, patrocinadora master do Tricolor. O acerto, de acordo com Cleverson Santos, representante da marca, só não foi feito por causa de um processo burocrático do Banco Central para liberar a entrada do dinheiro no país.
“Há uma morosidade nesta questão. O tempo que ficou parado está contando. Quando for liberado, vamos quitar tudo. Não há qualquer desavença entre o Paraná e a Sinoway. Todo mundo sabe o que está acontecendo”, declara Santos. Por “todo mundo”, entenda-se o clube e a empresa, pois as explicações para quem é de fora deste círculo só foram dadas, de fato, ontem.
Especula-se que o patrocínio gire em torno de R$ 250 mil por mês. “Temos um projeto com o clube a longo prazo e vamos honrar. Queremos ver o time brigando com os grandes novamente”, completa o representante da Sinoway.
O Paraná também revelou ontem um acordo com o Vitória, decorrente da dívida originada na transação do atacante Flávio Guilherme, em 2001. “Foi uma proposta deles, que nós aceitamos e em breve será colocada em prática. Restam apenas detalhes”, afirma Bittencourt.
Depois de uma decisão judicial, o Paraná via todo mês suas verbas de tevê bloqueadas. No pacto, o time baiano irá receber os R$ 920 mil que estão parados nas contas e continuará a embolsar por quase um ano metade da verba paranista, cerca de R$ 100 mil por mês.
O Tricolor ainda têm outros valores para engrossar o ajuste e o restante do débito, de R$ 2,4 milhões no total, que será fechado em dez parcelas – cinco em 2011 e cinco em 2012. “Será bom, pois poderemos receber algo da televisão. Isso já vai ajudar bastante no dia a dia. Nos libera um pouco do caixa”, declara Bittencourt.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo
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