sexta-feira, 28 de junho de 2013

Carros blindados, helicóptero e Exército para proteger a final.

A preocupação é reforçada pelo jogo em si e pelos atos de vandalismo que têm se misturado aos protestos que ganharam o país.

Com pelo menos duas manifestações previstas para domingo (30), a Polícia Militar do Rio de Janeiro enumerou nessa quinta-feira o já esperado incremento de segurança para a final da Copa das Confederações. A preocupação é reforçada pelo jogo em si e pelos atos de vandalismo que têm se misturado aos protestos pelo país e também por onde passa a seleção.
O pior episódio ocorreu na quinta-feira, em Belo Horizonte, onde o Brasil sacramentou a vaga na decisão ao vencer o Uruguai. Um estudante morreu ao cair de um viaduto, 15 pessoas ficaram feridas, mais de 100 foram encaminhadas às delegacias da capital mineira e muitos estragos foram registrados com várias lojas depredadas, saqueadas e incendiadas.
Ontem, a delegação nacional chegou ao Rio no mesmo horário em que manifestantes se reuniam na região da Candelária, para uma grande passeata que percorreu as principais ruas do centro carioca. Movimentação acompanhada de perto pela polícia, com reforço de pelo menos 500 integrantes do Batalhão de Choque, também recrutados para a final.
No domingo, 2.500 PMs farão o patrulhamento no entorno do Maracanã. Agen­­tes de sete Comandos de Policia­­mento e da Polícia Nacional ajudarão a compor o contingente. Haverá monitoramento dos pontos mais movimentados, enviando imagens para a cúpula da Segurança.
Patrulhas, escudos, carros blindados e armamento não letal recebidos nesta semana pela polícia devem estrear para dar suporte ao esquema tático. Um helicóptero fará patrulhamento aéreo.
A prefeitura comunicou ontem que fechará todo o entorno do estádio às 14 horas. Este também será o horário da abertura dos portões, pois antes do duelo, marcado para 19 horas, está programada a cerimônia de encerramento, que deve atrair muitas autoridades e personalidades.
“Claro que pela dimensão da final a questão da segurança vai exigir muito mais atenção, até pela situação especial que estamos vivendo”, adiantou nesta semana o diretor de comunicação do Comitê Organizador Local (COL), Saint-Clair Milesi. “Teremos um público maior de VIPs e VVIPs”, reforçou.
Por isso o COL decidiu turbinar também a segurança privada do maior estádio da competição. Nas últimas duas partidas realizadas no Maracanã, foram 1.050 profissionais. Domingo serão 1.300 seguranças, os chamados stewards, responsáveis por conter os torcedores e resolver conflitos. Assim, no total serão 3.800 homens mobilizados para evitar conflitos dentro e fora do estádio.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo

Brasil e Espanha fazem final dos sonhos.

Espanha sofre, usa os pênaltis, mas passa pela Itália e vai decidir a Copa das Confederações com o Brasil, confirmando a decisão esperada por todos.

Ivan Alvarado/ Reuters
Ivan Alvarado/ Reuters / Casillas salta e vê o pênalti cobrado pelo italiano Bonucci ganhar os ares em Fortaleza
Casillas salta e vê o pênalti cobrado pelo italiano Bonucci ganhar os ares em Fortaleza
Uma Copa das Confederações sem zebras terá a final esperada por todos. Brasil e Espanha decidem o evento-teste para a Copa-2014 no domingo (30), às 19 horas, no Maracanã. O duelo entre a atual e a maior referência histórica de futebol bem jogado. Uma prévia entre os dois protagonistas do Mundial do ano que vem.
O sofrimento enfrentado pelos brasileiros para eliminar o Uruguai, na quarta-feira, foi multiplicado por dez para os espanhóis. Sem conseguir impor seu jogo de toque de bola, sob risco real de ser derrotado e, por fim, tendo de recorrer a chuveirinhos, a Roja eliminou a Itália ontem, no Castelão, após uma batalha de 120 minutos sem gol e 14 cobranças de pênalti. Leonardo Bonucci foi o único a errar – chutou por cima, como Roberto Baggio. Jesús Navas converteu a penalidade decisiva.
Maior do que o desgaste pela dura semifinal, somente a gana espanhola de conquistar sobre o Brasil, no Maracanã, o único título que falta a essa geração. São duas Eurocopas, um Mundial e a conta pendente da Copa das Confederações de 2009, em que uma surpreendente derrota para os EUA impediu o duelo com os brasileiros. Agora, chegou a hora de zerar o débito.
“É um sonho de criança para todos jogar uma decisão contra o Brasil, no Maracanã. É um título que nos falta. Para nós, é uma coisa muito boa poder jogar contra eles. E uma grande emoção também”, afirmou o técnico Vicente del Bosque. “Todos queriam que a final fosse Brasil x Espanha. Esses times mereceram. Todos que gostam de futebol vão gostar de Brasil e Espanha. Vai ser uma partida emocionante”, reforçou o goleiro Iker Casillas, que parou a Itália no primeiro tempo.
O discurso respeitoso e político esconde uma motivação extra para a decisão. Seleção e imprensa espanhola tomaram como questão pessoal as notícias de noitadas da Roja divulgadas pelos meios de comunicação brasileiros nos últimos dias.
As vaias dos torcedores em todos os jogos dos campeões mundiais, independentemente do estádio, também deixaram marcas. Ontem, no Castelão, Sergio Ramos provocou a torcida após converter sua penalidade. Sergio Busquets fez o mesmo, com direito a um palavrão que dispensa tradução para saber o significado.
“Notamos que a torcida sempre vai torcer contra nós. Já nos acostumamos. Estamos conscientes de que, depois que fomos campeões da Europa e do mundo, para eles vai ser uma partida especial. Para nós também vai ser um evento histórico”, disse Casillas, no mais próximo que as entrevistas dos espanhóis chegaram de uma resposta às provocações.
A polidez também guiou os comentários sobre a equipe brasileira. Todos genéricos, sem mencionar diretamente uma virtude tática ou um jogador – nem mesmo Neymar – que mereça atenção na equipe de Luiz Felipe Scolari.
“Todos os jogadores da Espanha são extraordinários e capazes de desequilibrar uma partida. Os do Brasil também são fantásticos, então não podemos dizer que somos melhores”, disse Del Bosque.
Antes de pensar no Brasil, os espanhóis estão mais preocupados com a recuperação física. Terão um dia a menos de descanso, com o peso de terem jogado 30 minutos a mais. Roberto Soldado e Césc Fàbregas, ausentes ontem por questões físicas, devem voltar. Um fôlego extra para um time exausto.
“Estamos todos acabados. Não quero mais ver uma bola hoje [ontem]”, disse Navas. “Temos de recuperar nossas energias. Brasil x Espanha é um jogo que todo mundo quer jogar”, avisou Casillas.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo

Gastos com plebiscito podem chegar a R$ 500 milhões.

Estimativa é feita por técnicos da Justiça Eleitoral que, na corrida contra o relógio, tentam calcular os gastos e o tempo necessário para preparar a consulta popular.

O plebiscito sobre a reforma política poderá ser realizado em setembro a um custo de R$ 500 milhões. A estimativa é feita por técnicos da Justiça Eleitoral que, na corrida contra o relógio, tentam calcular os gastos e o tempo necessário para preparar a consulta popular. Desde quarta-feira, 26, quando a presidente Dilma Rousseff telefonou à presidente do TSE, Cármen Lúcia Antunes Rocha, para discutir questões práticas e logísticas do plebiscito, integrantes de várias áreas do TSE estão mobilizados para avaliar as providências e os gastos.
Normalmente uma consulta popular consome orçamento semelhante ao de uma eleição. Mas as estimativas atuais são de que o plebiscito sobre a reforma política custará mais do que a eleição municipal de 2012, quando foram gastos R$ 395 milhões. Além da inflação, dois fatores contribuirão para o aumento da conta. Por causa das mobilizações dos últimos dias e os episódios de confronto, a segurança durante o período do plebiscito deverá ter de ser reforçada com o apoio de homens das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica).
Em 2012, só para esse apoio foram destinados R$ 24 milhões. Diante das manifestações generalizadas no País, a expectativa é de que os pedidos de força federal sejam multiplicados. Além disso, o caráter de urgência deve tornar o plebiscito mais caro. No ano passado, por exemplo, a presidente do TSE anunciou que o custo do voto, de R$ 2,81 por eleitor, foi o menor desde a implantação do sistema eletrônico, em 1996.
Segundo ela, um dos fatores foi o planejamento. "Quanto maior o planejamento, menor é o custo", disse na ocasião. Se confirmado o valor final de meio bilhão de reais, o valor será o dobro do que foi gasto em 2005 com o referendo do desarmamento. Na ocasião, foram consumidos R$ 252 milhões. Já o plebiscito sobre a divisão ou não do Pará, em 2011, não custou mais que R$ 19 milhões.
Daquela consulta só participaram, porém, os eleitores paraenses. De acordo com técnicos do TSE, apesar do tempo escasso é possível fazer o plebiscito no início de setembro, dando tempo para que o Congresso aprove até 3 de outubro as leis necessárias para vigorarem na eleição presidencial de 2014. Pelas regras atualmente em vigor, as alterações no processo eleitoral têm de ser aprovadas até um ano antes do pleito.
Um dos principais pontos do planejamento do plebiscito deverá ser a campanha de esclarecimento aos eleitores. Se a consulta for feita em setembro, o ideal é que a campanha seja veiculada no rádio e na televisão em agosto. As peças publicitárias terão de explicar que todos os eleitores deverão participar do plebiscito porque o comparecimento é obrigatório. Também deverão informar sobre as perguntas que terão de ser respondidas. A tarefa não é considerada fácil uma vez que estarão em questão assuntos que não fazem parte do cotidiano da maioria dos eleitores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Agência Estado

Relatório sobre a tarifa vai embasar auditoria na Urbs.

Comissão que avalia o preço da passagem apresenta sugestões para baratear os custos do transporte público na capital.

Valdecir Galor/ SMCS
Valdecir Galor/ SMCS / Roberto Gregório, presidente da Urbs: “Sistema precisa ser mais transparente”
Roberto Gregório, presidente da Urbs: “Sistema precisa ser mais transparente”
Depois de quatro meses de trabalho, a Comissão de Análise da Tarifa da Rede Integrada de Transporte (RIT) finalizou o relatório que reúne sugestões para melhorar o transporte público de Curitiba e região. A conclusão é de que é possível encontrar meios para baixar o preço da passagem e é preciso aumentar a transparência do processo. O relatório será entregue ao prefeito Gustavo Fruet na semana que vem e disponibilizado para a sociedade de modo geral, o Ministério Público e a Câmara de Vereadores, que acaba de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos do transporte público.
Segundo o presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, os apontamentos da comissão podem ajudar a direcionar os trabalhos da auditoria que está sendo feita na Urbs. Já em relação ao transporte na rede metropolitana, que é de responsabilidade do governo do estado, há a sugestão de uma revisão da modelagem tarifária. “A comissão entendeu que tem de ser aprimorado um sistema de governança, com a presença da sociedade. Ficou muito clara a necessidade de mais transparência”, afirmou.
Outro ponto questionado é o processo licitatório do setor e seus parâmetros. Além de ser alvo de perguntas da sociedade, as próprias empresas vencedoras do certame reclamam dos contratos. Para Gregório, a pergunta que deve ser respondida é se o processo licitatório está adequado. “Se entendermos que apresenta problema, ele tem que ser revisto. É um trabalho que será conduzido e a própria CPI da Câmara é um fórum adequado para tratar esse assunto”, analisa.
Entre as recomendações aprovadas, estão a de que seja feita revisão dos parâmetros técnicos que compõem a tarifa técnica a cada quatro anos; auditoria sobre todos os parâmetros atualmente utilizados; revisão do Conselho Municipal de Transporte dotando-o de competência para se pronunciar sobre a revisão tarifária; e a possibilidade de implantação da tarifa sazonal, com valores diferenciados fora de horários de pico.
Satisfatória
O vereador Jorge Bernardi (PDT) destacou que a comissão foi uma conquista da sociedade. “Aqui nós reunimos técnicos das mais diversas áreas e que estão avaliando ponto por ponto o sistema de transporte coletivo”, diz. Ele afirmou que o modelo pode servir de base para o governo federal implantar em outras cidades. Para o presidente do Setransp, sindicato dos empresários do setor, Dante Gulin, a comissão esclareceu pontos importantes do sistema. “Há muita falta de conhecimento dentro do sistema e são tiradas conclusões precipitadas”, pondera.
“Não somos bandidos”, diz empresário
O presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metro­­politana (Setransp), Dante Gulin, disse ontem que a prefeitura está tratando as concessionárias do transporte como “bandidas”. A declaração foi feita em resposta ao anúncio do Executivo de que uma empresa do setor deixou de pagar R$ 253,6 mil em tributos municipais no período entre 2008 e 2010.
Gulin reclamou do fato de a administradora do sistema divulgar que uma empresa deve – em valores corrigidos – R$ 474,5 mil em Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS). “As coisas precisam ser pesquisadas para ver a verdade. Essa divulgação [da dívida] de ISS deixou os empresários como bandidos e nós não somos bandidos, somos homens de responsabilidade”, disse. Outras cinco empresas foram notificadas para apresentar documentos.
O dirigente citou ainda o fato de alguns empresários trabalharem no sistema de transporte há 60 anos, e defendeu a categoria da acusação. “Todo o pagamento que é feito para as empresas, consórcios, já vem deduzido do ISS, é retido na fonte, nós recebemos o líquido desse valor.”
O presidente da Urbs, Roberto Gregório, disse que as dívidas são de um período anterior e que só a partir da licitação houve mudança no recolhimento do ISS. “Hoje o imposto é retido na fonte, mas essas autuações se referem de 2008 a 2010, portanto, antes da licitação.
A Secretária de Finanças de Curitiba, Eleonora Fruet, garantiu que o processo que está sendo instaurado não é persecutório e que visa estabelecer a transparência de informações.
“Como qualquer outro procedimento, estamos fiscalizando com rigor empresas cadastradas na prefeitura para constatar irregularidades. Aqueles que forem acusados terão o direito de se defender”, destacou.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo/Colaborou Thomas Rieger

Contrato complica atuação da Compagas.

Compensação a acionistas está prevista em contratos, que foram assinados nos anos 90. Governo chegou a estudar encerramento da concessão.

Josué Teixeira/ Gazeta do Povo
Josué Teixeira/ Gazeta do Povo / Estação de gás natural em Ponta Grossa: cláusulas antigas causam problema a estatal
Estação de gás natural em Ponta Grossa: cláusulas antigas causam problema a estatal
A Taxa Interna de Retorno (TIR) da Compagas, concessionária de distribuição de gás paranaense, tem tornado inviável os investimentos em expansão e capilaridade da rede da companhia. O contrato prevê uma taxa mínima de 20% às empresas acionistas, um patamar incompatível com a realidade brasileira, de acordo com a administração da administração da empresa.
De acordo com o presidente da Compagas, Luciano Pizzatto, a taxa mínima nesta proporção reflete o contexto econômico em que os contratos das concessões foram assinados, na década de 90. “Já era uma TIR alta para a época, mas era justificável com uma inflação de 40% ao mês. Hoje, com a inflação a 6%, [a taxa] não faz o menor sentido”, afirma. Os contratos mais recentes costumam remunerar com uma taxa entre 5% e 10%. Com o retorno alto, a tarifa pela distribuição do gás natural perde competitividade no mercado.
“É impossível realizar investimentos no interior do estado com uma taxa dessas, que sai diretamente do caixa da empresa”, afirma Pizzatto. Um dos principais investimentos previstos pela companhia, o gasoduto de Sarandi a Paranaguá, também estaria ameaçado.
A solução para revisão da taxa seria uma mudança no estatuto da companhia, mas que depende de um acordo entre Petrobrás e Mitsui (que detém 24,5% das ações da empresa, cada) e a majoritária Copel, que está longe de sair. O descontentamento entre os acionistas chegou ao ponto do governo estadual cogitar a possibilidade de encerrar o contrato de concessão da Compagas. “Há uma série de ações que estão sendo estudadas pelo governo. É um assunto que está sendo discutido há um bom tempo”, resume o presidente da companhia.
Reincidência
A situação é praticamente a mesma nas demais concessões de distribuição de gás pelo Brasil – a Petrobras é acionista de outras 19 distribuidoras de gás canalizado no país. Em Santa Catarina, onde a estatal também é acionista e a taxa está no mesmo patamar de 20%, o contrato da SCGás é alvo de contestação do Tribunal de Contas de Estado (TCE).
A diretoria da SCGás reconhece a necessidade de se discutir alguns pontos do contrato. A TIR alta também é alvo de críticas no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso.
Por outro lado, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a as taxas de retorno são de 9,8% e 9,9%, respectivamente, concentram 73% da malha de distribuição do país. Com preços mais competitivos, as companhias destes estados puderam investir inclusive na expansão da malha urbana de abastecimento de gás e hoje detêm 93% dos clientes residenciais do país.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo/Agência Estado

Relatos de crueldade durante reunião da Comissão da Verdade.

Informações sobre a chacina de militantes da VPR no Parque Nacional do Iguaçu e tortura no Batalhão do Exército dominaram os depoimentos.

Christian Rizzi / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Christian Rizzi / Agência de Notícias Gazeta do Povo / A Comissão Nacional da Verdade realizou audiência nesta quinta-feira (27) na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. Izabel Favero, presa política, contou que foi torturada pelos militares e mostra foto, forjada pelos militares, onde ela aparece em meio a colegas presos com armas e livros
A Comissão Nacional da Verdade realizou audiência nesta quinta-feira (27) na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. Izabel Favero, presa política, contou que foi torturada pelos militares e mostra foto, forjada pelos militares, onde ela aparece em meio a colegas presos com armas e livros
Vítimas de tortura e testemunhas de violações dos Direitos Humanos na tríplice fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina foram ouvidas nesta quinta-feira (27) no primeiro dia da audiência da Comissão Nacional da Verdade, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Informações sobre a chacina no Parque Nacional do Iguaçu, na qual cinco militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram assassinados, e relatos de tortura no Batalhão do Exército, em Foz do Iguaçu, dominaram os relatos. Nenhum dos agentes da repressão convocados compareceu à audiência, que aconteceu na Câmara Municipal da cidade.
O primeiro depoimento foi do jornalista Aluízio Palmar, autor no livro “Onde foi que enterraram os nossos mortos”. Com base em documentos e informações de testemunhas, Palmar relatou que as vítimas da chacina do Parque Nacional – os irmãos Daniel Carvalho e Joel Carvalho, Víctor Ramos, José Lavéchia e o estudante argentino Enrique Ruggia - caíram em uma emboscada feita pelo ex-sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Alberi Vieira dos Santos. Outra vítima foi o ex-sargento Onofre Pinto, um dos fundadores da VPR.
Pinto, que acompanhava os cinco militantes, foi morto com uma injeção letal no Batalhão do Exército, em Foz do Iguaçu, após o assassinato dos companheiros. O corpo dele teria sido jogado no Rio São Francisco, em Santa Helena, onde hoje é o Lago de Itaipu.
O policial Adão Almeida, que a partir de 1980 colaborou nas investigações na tentativa de localizar os corpos dos militantes, foi o segundo a depor. Conforme Almeida, a primeira operação para buscar os restos mortais dos desaparecidos ocorreu em 2003, no município de Nova Aurora, região Oeste, sem resultados positivos. Após uma nova fase de investigações e com base em informações obtidas com um ex-agente da repressão, três expedições foram feitas no Parque Nacional do Iguaçu, mas sem sucesso. Ex-preso político, Ivan Seixas, presidente da Comissão da Verdade Rubens Paiva, também prestou declarações como testemunhas do caso.
A psicóloga argentina, Lilian Ruggia, irmã de Enrique Ruggia, compareceu à audiência. Emocionada, ela disse que Enrique, estudante de medicina veterinária, era adepto ao peronismo de esquerda e deixou Buenos Aires quando tinha 18 anos para ir ao Brasil com os amigos que conheceu na capital portenha. “Ele me disse que ficaria uma semana ou dez dias fora e voltava. Me deu um beijo, pegou o elevador e foi”, conta. Com muita dificuldade de obter informações no Brasil, ela só pode confirmar a morte do irmão mais de oito anos depois do desaparecimento.
Um dos depoimentos mais fortes foi da professora Izabel Fávero. Quando militava na VPR, Izabel foi presa em Nova Aurora. Levada para Foz do Iguaçu, foi vítima de choque elétrico, agressões físicas e crueldades. “Essa passagem pelo Batalhão de Fronteira deixou marcas indeléveis. Eu minto se disser que as superei”, diz a professora. Alberto Fávero, cunhado de Izabel, e a empresária Ana Beatriz Fortes também relataram torturas sofridas. 
No final da tarde, começaram os relatos de paraguaios sequestrados em Foz do Iguaçu.

Presidida pela coordenadora da Comissão Nacional da Verdade Rosa Cardoso e pelo professor Pedro Bodê, coordenador da Comissão Estadual, a audiência será encerrada amanhã. Para Rosa, “o caso dos mortos e desaparecidos e esclarecimentos das violações de direitos são as questões mais importantes da comissão”. Caso não compareçam na audiência amanhã, os agentes convocados poderão responder por crime de desobediência. 
Fonte: Jornal Gazeta do Povo

IPI para linha branca e móveis sobe a partir de 2ª-feira.

O ministro Guido Mantega disse que o governo não tem perspectiva para fazer novas desonerações em função da política fiscal.

Valter Campanato / Agência Brasil
Valter Campanato / Agência Brasil / O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que as algumas alíquotas reduzidas do IPI, que vencerão no fim de junho, serão parcialmente retiradas
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que as algumas alíquotas reduzidas do IPI, que vencerão no fim de junho, serão parcialmente retiradas
A partir de segunda-feira (1º), os móveis e três produtos da linha branca – fogão, tanquinho e geladeira – pagarão mais Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que as alíquotas reduzidas, que vencerão no fim de junho, serão parcialmente aumentadas. Também será revogado, em parte, o imposto reduzido para laminados, luminárias, painéis de madeira e papéis de parede. De acordo com o ministro, a remoção gradual das desonerações ajudará a manter o equilíbrio fiscal. O governo estima que vá arrecadar R$ 118 milhões a mais entre julho e setembro por causa da medida.
“A recomposição de tributos estava anunciada desde o início do ano”, declarou Mantega. Ele também ressaltou que não existe mais espaço fiscal para novas desonerações, como as pedidas por produtores de aço na última terça-feira (25). “Temos de colher frutos das desonerações aplicadas e em curso, mas também temos de melhorar a arrecadação e o desempenho fiscal. Em função disso, novas desonerações não estão previstas”, acrescentou.
As novas alíquotas valerão até o fim de setembro. O IPI sobe de 2% para 3% no caso dos fogões, de 7,5% para 8,5% para geladeiras, de 3,5% para 4,5% para tanquinhos. Para móveis, painéis de madeira e laminados, a alíquota passa de 2,5% para 3%. Para as luminárias, o imposto aumenta de 7,5% para 10%. O IPI para papéis de parede subirá de 10% para 15%. Para máquinas de lavar, o imposto está definitivamente mantido em 10% desde o ano passado.
Mantega disse ainda que pediu aos empresários que não repassassem o imposto maior para os preços. “Conversei com o setor, e os empresários me informaram que procurarão absorver o aumento de tarifas de modo que o preço não se eleve. O setor fará um esforço para não venha prejudicar vendas, nem aumentar a inflação”, declarou. "Os setores vão procurar absorver o aumento de tarifas de forma que preço não se eleve. Tanto o varejo quanto o setor produtor farão esforço para manter os preços atuais", disse Mantega.
Ainda assim, afirmou o ministro, os empresários se queixaram do aumento de custos de alguns insumos e componentes. "Ficamos de estudar o que fazer para impedir que haja um aumento de custos para a produção que possa ser repassado para o consumidor final. O nível de vendas desses produtos teve crescimento moderado nesses primeiros cinco meses do ano e, portanto, deve continuar tendo esse desempenho", completou.
Copa
A entrevista coletiva, marcada para 18h, começou com quase uma hora de atraso. Ao chegar ao auditório do ministério, jornalistas perguntaram ao ministro sobre o jogo da Copa das Confederações entre Espanha e Itália, que havia terminado alguns minutos antes, com vitória dos espanhóis. "Eu estava torcendo para Itália ganhar porque ela é um adversário melhor para o Brasil", disse Mantega. "Na verdade, nem sabia que tinha o jogo" afirmou em seguida.
Fonte: Reuters/Agência Brasil/Agência Estado

Aeroportos serão alvo de manifestações no dia 2 de julho.

Dirigentes de oito centrais se reuniram ontem com a presidente e saíram com opiniões divergentes sobre o encontro.

Um dia após a reunião da presidente Dilma Rousseff com dirigentes sindicais, duas centrais definem protestos em preparação à manifestação nacional que será feita em conjunto no dia 11 de julho. A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras) informou nesta quinta-feira (27) que irá fazer uma série de manifestações na próxima terça-feira, dia 2 de julho, nos aeroportos das principais capitais brasileiras.
Segundo nota publicada em seu site, a CTB informa que o objetivo é "fortalecer esse momento de mobilização pelo qual passa o Brasil e alertar o Congresso Nacional e o governo para a importância em se avançar rumo a um novo projeto de desenvolvimento com soberania, democracia e valorização do trabalho".
De acordo com a central (ligada ao PC do B e que reúne sindicatos dissidentes da CUT), será distribuída uma "Carta Aberta aos Parlamentares e à Sociedade" para pedir pontos que constam da chamada "agenda dos trabalhadores" e definida como reivindicações comuns das centrais sindicais.
Dirigentes de oito centrais se reuniram ontem com a presidente e saíram com opiniões divergentes sobre o encontro. Estavam presentes líderes das centrais CUT, Força Sindical, CTB), UGT (União Geral dos Trabalhadores), Nova Central Sindical, CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), CSP-Conlutas (ligada ao PSTU) e CGTB.
A Força Sindical vai reunir amanhã representantes de sindicatos de todos o país para definir locais de greves e manifestações que deverão ocorrer no dia 11 de julho.
Encontro com Dilma
Durante o encontro com a presidente, a CUT informou que ela "enfatizou que não aprovará qualquer projeto sem que exista acordo entre trabalhadores, empregadores e governo". Ainda, segundo a central, a presidente "garantiu que o diálogo com as centrais sindicais será permanente e que todos os temas da pauta da classe trabalhadora serão negociados, inclusive o fim do fator previdenciário e a redução da jornada para 40 horas semanais".
A central informa ainda que "até agosto, segundo a presidenta, o governo dará uma resposta a todas as reivindicações que foram entregues a ela no Palácio do Planalto depois da Marcha da Classe Trabalhadora, em março".
Vagner Freitas, da CUT, diz a central construirá uma campanha nacional pela reforma política e pelo plebiscito proposto. "Qualquer político ou organização que for contra essa consulta é porque está acostumado à velha política e quer tratar esses assuntos longe da população e da classe trabalhadora, exclusivamente nos corredores do Congresso".
Segundo o presidente da UGT, Ricardo Patah, houve compromisso de haver "mesas de negociação" com o governo para discutir a pauta dos trabalhadores. "Um deles que ainda não está com tanta força nas ruas é o reajuste das aposentadorias. O governo tem de dar atenção a esse tema", disse.
Para "Inglês Ver"
Para as lideranças da CSP-Conlutas, entretanto, a reunião com a presidente foi "apenas para inglês ver".
"Nem parece que estávamos na mesma reunião. Nenhuma medida concreta foi apontada, nenhum encaminhamento efetivo foi providenciado. A presidenta falou 40 minutos, deu 5 minutos para cada central falar e depois se levanto-se e foi embora", disse José Maria de Almeida, um dos coordenadores da CSP-Conlutas e presidente do PSTU.
"Queremos o atendimento das reivindicações dos trabalhadores e da pauta das mobilizações nas ruas. Desde abril, entregamos uma pauta ao governo e não tivemos sequer resposta. Não há solução para os problemas que afligem a vida do povo dentro do modelo econômico que aí está", disse o sindicalista.
"Não existe medida mais adequada para melhorar a vida do trabalhador do que a redução da jornada de trabalho, uma pauta que está em debate na sociedade há mais de uma década. Por isso é fundamental que o governo abra espaço e apoie essa pauta. Se ele quer responder à sociedade em relação às manifestações das últimas semanas, deve dar atenção às questões trabalhistas", disse Antonio Neto, da CSB.
Fonte: FolhaPress

Obama segue para África do Sul com Mandela em mente.

O presidente norte-americano está na metade de uma viagem por três países da África.

Reuters/Jason Reed / Obama e Michelle acenam ao embarcar no Air Force One para deixar Dacar, no Senegal

O presidente dos EUA, Barack Obama, viaja nesta sexta-feira (28) para a África do Sul na esperança de ver Nelson Mandela, após concluir uma visita ao Senegal que teve como foco melhorar a segurança alimentar e promover as instituições democráticas.
Obama está na metade de uma viagem por três países da África, que a Casa Branca espera que sirva como resposta ao que alguns veem como anos de negligência por parte do governo do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Antes de deixar Dacar, Obama tinha agendado um encontro com agricultores e empresários locais para discutir as novas tecnologias que estão ajudando os agricultores e suas famílias na África Ocidental, uma das regiões mais pobres e mais propensas à seca do mundo.
Mas é Mandela, o ex-presidente sul-africano de 94 anos que está lutando pela vida em um hospital de Pretória, que vai dominar o dia do presidente, mesmo antes de sua chegada a Johanesburgo.
Questionada na quinta-feira se Obama faria uma visita a Mandela, a Casa Branca disse que será uma decisão da família.
"Vamos atender completamente os desejos da família Mandela e trabalhar com o governo sul-africano no que diz respeito à nossa visita", disse o vice-conselheiro de segurança nacional Ben Rhodes a repórteres no Senegal.
"O que a família Mandela considerar adequado é o que estamos focados em fazer em termos de nossa interação com eles."
Obama considera Mandela, também conhecido como Madiba, como um herói. Independentemente de um encontro, autoridades disseram que a viagem serviria principalmente como uma homenagem ao líder da luta contra o apartheid.
"Eu tive o privilégio de conhecer Madiba e falar com ele. E ele é um herói pessoal, mas eu acho que não sou o único que pensa assim", disse Obama na quinta-feira. "Se e quando ele partir deste lugar, uma coisa que eu acho que todos nós vamos saber é que o seu legado vai se prolongar ao longo dos tempos."
O presidente dos EUA chega na tarde desta sexta-feira à África do Sul e não tem eventos públicos programados. Ele poderia ir para o hospital. Durante a viagem, Obama deve visitar Robben Island, onde Mandela passou anos na prisão.
Fonte: Reuters

Equador diz que situação de Edward Snowden é "complexa".

Rafael Correa reafirmou que o delator do esquema de espionagem americano precisa chegar em território equatoriano para que seu pedido possa ser processado.

O presidente do Equador, Rafael Correa, descreveu como "complexa" a situação de Edward Snowden, que pediu asilo para a nação sul-americana após revelar informações sobre programas secretos dos EUA. Correa também reafirmou que Snowden precisa chegar em território equatoriano para que seu pedido possa ser processado.
Os comentários mostram mais mensagens contraditórias do Equador, que disse que examinará o pedido de asilo de Snowden, mas negou na quinta-feira que havia concedido documentos de viagem ao delator, levantando dúvidas sobre o destino do norte-americano.
Muitos acreditam que Snowden, procurado pelos EUA sob a acusação de espionagem, está em uma área de trânsito de um terminal do aeroporto de Moscou, possivelmente sem nenhum documento de viagem válido. Snowden fugiu de Hong Kong no fim de semana e seu destino final parecia ser o Equador, mas a falta de documentos de viagem parece estar dificultando seus planos.
A situação de Snowden é "complexa e não sabemos como ele vai resolver isso", disse Correa em uma coletiva de imprensa.
O líder equatoriano repetiu comentários de autoridades do governo de que o pedido de Snowden só pode ser processado se ele estiver em território equatoriano. Correa também afirmou que o pedido poderia ser processado se Snowden chegasse a uma embaixada equatoriana. Mas o presidente deixou claro que, de qualquer maneira, "isso não significa que o asilo será aprovado, mas isso significa que ele vai ser processado".
O único contato entre o Equador e Snowden foi uma visita de Patricio Chávez Závala, o embaixador do Equador para a Rússia, no aeroporto de Moscou para discutir o pedido de asilo, comentou o presidente.
O líder equatoriano também repetiu comentários de seus principais assessores, indicando que Snowden não tinha qualquer documento de viagem válido emitido pelo Equador.
Na quarta-feira, a Univision Networks publicou imagens de um suposto documento aparentemente emitido pela embaixada do Equador em Londres que, segundo a empresa, seria uma "passagem segura" para viagens temporárias para Snowden. O delator precisaria deste documento depois que autoridades norte-americanas disseram no início desta semana que haviam cancelado seu passaporte.
Correa afirmou que, mesmo se tal documento existisse, a pessoa que o emitiu não teria autoridade e [o documento] "não teria validade".
O Equador criticou os esforços diplomáticos de Washington para fechar todas as rotas de fuga de Snowden. Correa disse que seu governo não seria intimidado por pedidos dos EUA para que negasse o asilo de Snowden. "O Equador não aceita pressão ou ameaças de ninguém e não faz barganha com seus princípios ou soberania", disse Correa. Fonte: Dow Jones Newswires.
Fonte: Agência Estado